A delirante obsessão de querer perdurar

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O poeta Carlos Drummond dizia que a literatura é um dos modos de elevação do ser humano acima da precariedade da existência. Para o músico uruguaio Jorge Drexler, somos um animal com a delirante obsessão de querer perdurar.

As redes sociais poderão transformar tal obsessão num delírio megalomaníaco. Sites como o DeadSocial e IfIDie oferecem a possibilidade de sobreviver à morte. Uma conta no site permite ao usuário permanecer vivo no mundo digital após haver deixado o mundo real. Basta produzir material (vídeos, texto etc.) enquanto é vivo e decidir o número de anos de sobrevida no digital. O DeadSocial irá postar no Facebook e Tweeter mensagens programadas por até 999 anos, mantendo a posteridade na Nuvem.

Talvez o exemplo mais famoso desses sobreviventes digitais seja o crítico de cinema Roger Egbert. Ele morreu em 2013 mas seus perfis no Facebook e Tweeter permanecem ativos, mantidos pela sua esposa que herdou não apenas o seus ativos na rede quanto, talvez, a sua persona. Somente no mês passado foram 12 posts no Face. Julho ainda não terminou e já são 10 posts, às vezes mais de um por dia.

Em teoria tanto o Facebook quanto o Tweeter não permitem que um outro ser humano assuma o nosso perfil. O Facebook prefere que o perfil do usuário morto seja convertido para um formato chamado memorialized, onde as atualizações e contatos são removidos do perfil. Egbert teve uma permissão especial porque era seguido por dezenas de milhares. Os negócios contam, já que a sua página continua a receber muitas visitas. Porém, ainda não está claro se será permitido que um programa de software não possa dar prosseguimento às nossas vidas digitais.

Propaganda do DeadSocialOs defensores desses serviços alegam que os nossos antepassados tentavam perdurar por uma inscrição numa lápide e, de todo modo, muitas pessoas entram na rede pela primeira vez antes de nascerem – pelas imagens de ultrassom – e aí permanecerão até a morte, ou além.

Que as velhas caixas de papelão com fotos antigas sejam substituídas pela Nuvem é apenas um detalhe.

Veja mais em: http://www.theguardian.com/media/shortcuts/2013/feb/18/death-social-media-liveson-deadsocial

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