Uma pausa no cinema: erro histórico

Depois de um longo período de terrorismo verbal – de parte significativa de usuários de redes sociais, da direita assumida ou não, de grande parte da imprensa, jogando hectolitros de gasolina sobre carvão em brasa, um estranho sentimento de inadequação toma conta de todos que aguardam a estréia da seleção brasileira no próximo dia 12 de junho contra a Croácia.

O ótimo artigo de Antonio Prata na FSP de hoje, reforça esse sentimento de inadequação, de deslocamento, de absurdo.

Nesse momento, são os ‘amigos’ de esquerda que parecem tomados de uma cegueira que, certamente, nos conduzirá para um erro histórico difícil de ser previsto em termos de magnitude.

Protestos durante a festa parecem ter dois possíveis cenários distintos:

1 – O casamento transcorre em paz…e vozes descontentes serão completamente sufocadas (esse me parece o cenário mais provável);

2 – Noivo e noiva saem corridos da igreja, padrinhos choram, os pais da noiva lamentam o escândalo e a igreja é incendiada (parece-me um cenário distante e improvável).

Figuras respeitáveis de uma esquerda tradicional (Juca Kfouri, por exemplo), sindicatos ou grupos de oposição aos movimentos institucionalizados, black blocks, oportunistas de plantão parecem esquecer que estamos diante de uma festa desejada e respeitada pela grande maioria da população brasileira.

Jogar gasolina (e, nesse momento, em carvão apagado) resultará num grande fiasco.

Não se trata apenas de uma situação absurda onde cem gatos pingados serão ridicularizados por tentarem acabar com a festa; poderemos ter mártires mortos por motivos imbecis, por conta de uma avaliação errada, em momento errado, em lugar errado (embora eu acredite mais nas manifestações bem humoradas como as ocorridas em Londres 2012).

Pouca gente se lembra dos protestos de Londres em 2012 por conta das Olimpíadas……

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Notícia
O outro lado da Olimpíada de Londres em cinco protestos
Roberto Almeida | Londres – 06/08/2012 – 10h51

Nem tudo é festa na capital britânica: ativistas denunciam ações obscuras de alguns patrocinadores e são reprimidos por autoridades

Na contramão dos furores patrióticos por medalhas, manifestantes britânicos realizaram protestos contra a Olimpíada de Londres. Sem o mesmo holofote de Usain Bolt, Michael Phelps e Andy Murray, cinco ações anti-Jogos questionaram seus polêmicos patrocinadores, colocando em xeque a lógica dos “benefícios” do megaevento e a controversa reformulação da região leste da capital britânica para construção do Parque Olímpico.

Poucas linhas de jornal contaram sobre as prisões em uma bicicletada pacífica e outras detenções em um protesto bem-humorado com creme de baunilha na Trafalgar Square, centro de Londres

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…ou, ainda, os protestos na Africa do Sul por conta da Copa do Mundo de 2010…

…que terminaram, afinal, com as vuvuzelas tomando conta de todos os jogos.

Hora de botar a cabeça no lugar, hora do jornalismo institucional provar que não é apenas oportunista e polemista.

Até a Copa!

Marcos Carlini

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