Encontro pancinema: a violência e o cinema

PANCINEMA.VIOLENCIA.Folder.reduzido

Anúncios
Imagem | Publicado em por | Marcado com | Deixe um comentário

Timbuktu

timbiktuO filme é sobre a humanidade que desce ladeira abaixo agarrada à religião.

Em abril de 2012, milícias islâmicas derrotam as tropas do governo do Mali e fazem a jihad pela força das armas. Em Timbuktu, a sharia proíbe o álcool, a música e os valores ocidentais. A população resiste. Pelas ruas há cartazes dizendo: “a cidade foi construída no Islã e apenas a lei islâmica vale aqui”.

Em fevereiro de 2013 a cidade é libertada por tropas francesas. A vida é devolvida à população e à esfera do Ocidente. O filme de Abderrahmane Sissako mostra os meses sob a ocupação.

O diretor registra a situação sufocante no cotidiano simples e verdadeiro da população sob ocupação. O propósito dos opressores é mostrado nos atos educativos e purificadores: vigilância minuciosa, recitação de trechos sagrados, julgamentos e prisões em nome da religião. Mesmo jogar futebol  torna-se um ato de desobediência. Com ironia, Sissako mostra uma partida jogada sem bola, mas no máximo da sua beleza.

Longe da cidade, o pastor Kidane e sua família levam a vida como sempre foi, em paz e liberdade, até que uma briga com um vizinho faz de Kidane um assassino e o obriga a ir à cidade. A cena é belíssima, filmada sob a melhor luz que a natureza africana pode dar ao cinema.

Não há dúvida: Sissako faz um recorte que não busca o equilíbrio. O filme andou lhe garantindo o título de “mestre”. É menos. Poderia ter caprichado na direção dos atores. Os personagens são desenvolvidos apenas até onde servem ao seu panfleto. Não esperem muita densidade, tudo está para reiterar a opressão extremista.

Na era Charlie Hebdo, o tema é atualíssimo, mas o filme perde a chance de tratá-lo com mais cuidado. O mundo é grande e há muitas Timbuktus por aí. Os pequenos fascismos de varejo em nome da religião continuarão garantindo nossa descida ladeira abaixo.

Publicado em 2015_1, crítica | Marcado com | Deixe um comentário

Galeria Lume exibe o universo de Alberto Ferreira

 Alberto Ferreira - O Olhar é o que Fica (2)

A Galeria Lume exibe O Olhar é o que Fica, do fotógrafo brasileiro Alberto Ferreira. Composta por 23 fotografias em preto e branco – das quais 20 nunca foram expostas, a mostra retrata o Brasil dos anos 1950 a 1970: o Carnaval, o Rio de Janeiro e cenas do cotidiano da cidade, além de autorretratos do artista.

Ícone na história do fotojornalismo brasileiro, Alberto Ferreira criou fotografias que carregam em si muito mais que a estética documental. “Nesse jogo de espelhos nunca abstrato, no tempo compacto, o fotógrafo lê a cidade como a página de um livro aberto”, comenta Diógenes Moura, curador da exposição.

Exposição: Alberto Ferreira – O Olhar é o que Fica

Abertura: 26 de fevereiro de 2015, quinta-feira, às 19h

Período: De 27 de fevereiro a 27 de março de 2015

www.galerialume.com

Alberto Ferreira - O Olhar é o que Fica (7)

Publicado em 2015_1, Agenda | Marcado com | Deixe um comentário

Depois da chuva

* por: Marcos Carlini

Ultimo post do Marcos

Publicado em Memória | Marcado com | Deixe um comentário

Please to meet you! I hope you guess my name…

Rolling Stones - Sympathy For The Devil * por Ana Macitelli e Mario Marino

A exposição Música e Cinema: o casamento do século? (no Sesc Pinheiros em São Paulo) mostra uma cena dos Rolling Stones num estúdio em Londres com Mick Jagger em primeiro plano. Um senhor de terno e gravata saúda um dos músicos. Apesar do seu aspecto careta, este senhor é o corrosivo cineasta Jean-Luc Godard, que está no estúdio filmando o conturbado processo criativo dos Stones.

Godard sempre foi competente em captar o ar do seu tempo, sobretudo o estado da alma da juventude nos anos sessenta. Assim foram os seus filmes de enquete política mais conhecidos como Masculino-Feminino (1966) e o queridinho da crítica A Chinesa (1968), e também o pouco conhecido Tout va bien (1972). Para este último Godard escalou o veterano Yves Montant e a estrela Jane Fonda para encenar a ocupação de uma fábrica em pleno 68 e o clima de desolação que seguiu o refluxo do movimento contestatório. Ainda na cena política, Week-end à francesa (1967) – considerado por alguns o seu melhor filme – retrata o fim das ideologias e uma sociedade em aparente colapso por meio de cenas de canibalismo, assassinatos e guerra. Continuar lendo

Publicado em 2015_1, Agenda, crítica | Marcado com , | Deixe um comentário

Magia ao Luar

PosterCinema MagicInTheMoonlight.indd

* por Leonardo Beni Tkacz e Maria Lúcia Homem

Magia ao Luar é a nova produção de Woody Allen, que assina a direção e o roteiro. Desde Match Point (2005), o velho continente tornou-se o cenário preferido para filmar suas histórias. Dessa vez, o palco é a região sul da França, na mágica Riviera Francesa, na década de 1920.

Para contar a nova história, Woody Allen recorta o universo dos mágicos e dos médiuns daquela época; ao que parece eram figuras admiradas pela sociedade. Isto se vê na abertura da primeira cena do filme, um teatro lotado, uma plateia bem vestida e atenta ao espetáculo. Daquele universo, o roteiro discute o tema do olhar. Tão logo inicia o filme, o diretor convida a audiência a percorrer um recorte: uma tomada em close-up do olho de um elefante que está no palco, como se levasse o espectador, num passe de mágica, a “colar-se” no olho do animal. Mas o elefante desaparece por um ato do mágico. Logo, o espectador também vai “desaparecer” enquanto visão, pois está “colado” ao olho do animal, o que não quer dizer que não haverá algum olhar. Continuar lendo

Publicado em 2014_2, crítica | Marcado com , | Deixe um comentário

A delirante obsessão de querer perdurar

deadsocial1_616

O poeta Carlos Drummond dizia que a literatura é um dos modos de elevação do ser humano acima da precariedade da existência. Para o músico uruguaio Jorge Drexler, somos um animal com a delirante obsessão de querer perdurar.

As redes sociais poderão transformar tal obsessão num delírio megalomaníaco. Sites como o DeadSocial e IfIDie oferecem a possibilidade de sobreviver à morte. Uma conta no site permite ao usuário permanecer vivo no mundo digital após haver deixado o mundo real. Basta produzir material (vídeos, texto etc.) enquanto é vivo e decidir o número de anos de sobrevida no digital. O DeadSocial irá postar no Facebook e Tweeter mensagens programadas por até 999 anos, mantendo a posteridade na Nuvem. Continuar lendo

Publicado em 2014_2 | Marcado com | Deixe um comentário

Outra pausa no cinema: erro histórico?

Hoje não aceitamos mais a ideia grega de que uma vida privada, própria ao indivíduo (idion), remete à palavra idiota, aquele que vive à parte do mundo.

Hannah Arendt pode nos ajudar a entender certas atitudes diante dos recentes movimentos de protesto.

Aristóteles entendia que uma atividade só era livre quando fosse desvinculada da necessidade. Assim, o escravo estava permanentemente preso à pura determinação corporal e os artesãos, enquanto temporariamente nesta condição, ainda estavam presos à atividade ligada às coisas necessárias ou úteis. Continuar lendo

Publicado em 2014_1, idéias | Deixe um comentário

Uma pausa no cinema: erro histórico

Depois de um longo período de terrorismo verbal – de parte significativa de usuários de redes sociais, da direita assumida ou não, de grande parte da imprensa, jogando hectolitros de gasolina sobre carvão em brasa, um estranho sentimento de inadequação toma conta de todos que aguardam a estréia da seleção brasileira no próximo dia 12 de junho contra a Croácia.

O ótimo artigo de Antonio Prata na FSP de hoje, reforça esse sentimento de inadequação, de deslocamento, de absurdo.

Nesse momento, são os ‘amigos’ de esquerda que parecem tomados de uma cegueira que, certamente, nos conduzirá para um erro histórico difícil de ser previsto em termos de magnitude. Continuar lendo

Publicado em 2014_1, idéias | Deixe um comentário

Ditadura e Obscenidade! É grátis.

caparao

Dois dos temas mais polêmicos e discutidos no país ganham mostras gratuitas em São Paulo.

A partir desse sábado dia 15/03, de encontro ao cinqüentenário do Golpe Militar de 64, o projeto Cine Direitos Humanos abre um ciclo especial de filmes sobre o assunto.

Todos os sábados, às 11h, durante as próximas seis semanas, o Espaço Itaú de Cinema apresenta sessões gratuitas de filme que tratam a Ditadura Militar, com destaque especial para o documentário “Caparaó”, vencedor do Festival É Tudo Verdade, que será exibido no dia 22/03.

Programação:

15/03 – “A Memória Que Me Contam” (Lúcia Murat)

22/03 – “Caparaó” (Flavio Frederico)

29/03 – “15 Filhos”(curta)(Maria de Oliveira e Marta Nehring) e “Ação Entre Amigos” (Beto Brant)

05/04 – “Em Busca de Iara” (Flavio Frederico)

12/04 – “Travessia” (João Batista de Andrade)

19/04 – “Batismo de Sangue” (Helvécio Ratton)

 

Assista ao trailer: http://goo.gl/LVAFrk

tango

 Ao mesmo tempo, fica em cartaz, até dia 28/03, a Mostra Obscena, que acontece na Cidade Universitária durante a semana e na Maria Antonia no final de semana.

O ciclo de filme busca um olhar crítico para a abordagem do sexo no cinema, tentando discutir o que seria erotismo, pornografia, jogos sensuais pelo olhar cinematográfico.

Especial atenção a sessões especial que acontecem no dia 19/03, com a exibição do filme “Império dos Sentidos”. Após o filme haverá um debate com o crítico Christian Petermann.

Programação na USP:

17/03 | segunda

16h00 ALMAS EM CHAMAS | DEU NO JORNAL | SKIN | COMO MELADO LAMBUZA | PORN KARAOKÊ | AMOR COM A CIDADE | FILME PARA POETA CEGO

19h00 BAIXIO DAS BESTAS

18/03 | terça

16h00 FIVE HOT STORIES FOR HER

19h00 INSTINTO SELVAGEM

19/03 | quarta

CIDADE UNIVERSITÁRIA

16h00 9 ½ SEMANA DE AMOR

19h00 O IMPÉRIO DOS SENTIDOS | DEBATE COM CHRISTIAN PETERMANN E RONNIE CARDOSO

20/03 | quinta

16h00 AZUL É A COR MAIS QUENTE

19h00 JOVEM ALOUCADA

21/03 | sexta

16h00 SALÒ OU OS 120 DIAS DE SODOMA

AUDITÓRIO A – PRÉDIO 4 (CINEMA, RÁDIO E TV) DA ECA/USP

19h00 UM ESTRANHO NO LAGO

24/03 | segunda

CIDADE UNIVERSITÁRIA

16h00 SHORTBUS

19h00 FIVE HOT STORIES FOR HER

25/03 | terça

16h00 O ÚLTIMO TANGO EM PARIS

19h00 ATRÁS DA PORTA VERDE

26/03 | quarta

16h00 JOVEM ALOUCADA

27/03 | quinta

6h00 O IMPÉRIO DOS SENTIDOS

19h00 CRASH – ESTRANHOS PRAZERES

28/03 | sexta

16h00 9 CANÇÕES

19h00 AZUL É A COR MAIS QUENTE

Programação Maria Antonia:

15/03 | sábado

17h30 O ÚLTIMO TANGO EM PARIS

20h00 KEN PARK

16/03 | domingo

18h00 ALMAS EM CHAMAS | DEU NO JORNAL | SKIN | COMO MELADO LAMBUZA | PORN KARAOKÊ | AMOR COM A CIDADE | FILME PARA POETA CEGO

20h00 SHORTBUS

Publicado em Agenda | Deixe um comentário